Não me apego mais a pequenas demonstrações e não vivo mais na frente de um computador, imaginando o que a pessoa do outro lado irá me dizer, se é que ela irá me dizer algo.
Tenho passado os dias bem quietinha embaixo do meu edredon, com as poesias de Vinicius, imaginando o quão bom seria a vida dele ou será que não era pouca miséria igual a de muitos por ai?
Não tomo um porre a muito tempo e me desprendi de muitas coisas que afetavam rotineiramente meu bom humor, ou melhor, o meu humor que quase nunca andava bom.
Os dias sóbrios são bem mais doloridos, porém, bem mais reais.
Eu passei a brinca de viver, viver a vida, viver a sensação do real e percebi que os que me cercavam a maioria era ilusão.
Mas, me questiono seriamente: Será que era só minha a ilusão ou a sensação de estar vivendo dentro de uma garrafa era recíproca?
Eu não precisei perceber que as coisas tomaria um rumo certo em tão pouco tempo e nem acreditar que tudo iria se estabilizar e que a vida voltaria a ser vida, mesmo sem a presença daquilo que eu denominava de vida. Era notório.
A cada cigarro que eu acendo e vejo a fumaça dele saindo, e ele queimando em tão pouco tempo e a cinza que acabava caindo, era quase que um reflexo daquilo que muitos diziam ser SENTIMENTOS.
Começa discreto, depois dominava, caia novamente, aparecia mais uma vez e por fim, acabava, era jogado no cinzeiro e dali pra frente não havia mais sentido.
Reciprocidade e coerência é uma coisa que eu não cobro, são coisas que não se podem ser cobradas, são atitudes que tem que ser involuntárias que te surpreende como um bom soco na cara.
É disso que eu falo, da sensação de estar livre, liberto de uma coisa que te prendia e que não te surpreendia nunca. A sensação do novo, do bom e velho frio na barriga, da sensação de viver.
Isso sim é bom…
Estar leve. Estar livre. Estar você mesmo.
